II Competição SAE BRASIL-PETROBRAS de Fórmula SAE acontece neste fim de semana ECPA

A segunda edição da competição acontece entre os dias
14 e 16 de outubro e reunirá 10 equipes de seis Estados

O sonho de se tornar parte de uma equipe de Fórmula 1 está mais próximo de virar realidade para cerca de 130 estudantes de graduação e pós-graduação em Engenharia, do Brasil. Com o desafio de projetar, desenvolver e construir veículos de corrida do tipo Fórmula, caracterizados pela alta performance e desempenho em pista, 10 equipes de seis Estados preparam-se para participar da II Competição SAE-BRASIL PETROBRAS de Fórmula SAE, que será realizada entre os dias 14 e 16 de outubro, no ECPA - Esporte Clube Piracicabano de Automobilismo (rodovia SP 135, km 13,5, Bairro Tupi), em Piracicaba, Interior de São Paulo.

A competição Fórmula SAE tem grande importância para a formação do estudante. “Eles ganham um diferencial competitivo muito valioso, que abre portas para novos mercados, como a Fórmula 1, Indy, Stock Car, ou qualquer outra que inclua a engenharia de competição”, afirma Leandro Siqueira, diretor do Comitê Fórmula SAE e supervisor de Testes da Volkswagen Caminhões.

Entre as equipes, estão a Solid Edge, da Escola de Engenharia da USP São Carlos (EESC-USP); Fórmula Unip, da Universidade Paulista (UNIP); UNB Formula e Piratas Racing, da Universidade de Brasília (UnB) ; Equipe V8, da Faculdade de Sorocaba (Facens); Ícarus UFRJ, da Universidade Federal do Rio de Janeiro; UFC Esporte Motor, da Universidade Federal do Ceará; Fórmula CEFET-RJ, do Cefet-RJ; Atena, do Cefet-MG; e Formula FEI, do Centro Universitário da FEI.

Durante a competição, os carros são avaliados desde a concepção técnica (projeto, relatórios de engenharia e inspeção técnica dos veículos) até a viabilidade comercial (relatório de custos e apresentação de produto). Além disso, as equipes enfrentam provas dinâmicas, como testes de aceleração, frenagem e desempenho em pista. A equipe vencedora ganha o direito de representar o Brasil na Formula SAE, que será realizado pela SAE International em 2006, em Pontiac, Michigan/EUA.

No ano passado, a primeira edição da Competição SAE BRASIL-PETROBRAS de Fórmula SAE, realizada em São Paulo, reuniu projetos de alunos de sete universidades cariocas e paulistas. A equipe Solid Edge (EESC/USP) foi a vencedora com 264,3 pontos, seguida da equipe Ícarus, com 200,6 pontos, e a Fórmula Unip, em terceiro lugar, com 182 pontos.

Após a vitória, a equipe Solid Edge levou a bandeira verde-amarela pela primeira vez para a competição Formula SAE, nos EUA, realizada em maio deste ano, obtendo significativo sucesso: o sistema de freios projetado e construído pela equipe Solid Edge foi apontado como o melhor entre os projetos apresentados pelas 140 equipes participantes e, além disso, a equipe ficou entre as cinco melhores estreantes. Na classificação geral, a equipe brasileira obteve a 80ª colocação.

COMPETIÇÃO – Os veículos Fórmula SAE, nascidos na década de 70, são projetados por estudantes de graduação e pós-graduação de Engenharia, de acordo com regras definidas pela SAE BRASIL. Na modalidade, os motores 4 tempos têm cilindrada máxima de 610 cm³ e a construção do veículo deve obedecer às normas do regulamento da competição. Atualmente, a competição acontece em seis países: Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Japão, Austrália e Brasil, que passou a integrar o circuito mundial no ano passado.

De acordo com Gábor János Deák, presidente da SAE BRASIL, o Projeto Fórmula SAE é um importante passo para o aprimoramento da formação dos futuros engenheiros que em breve estarão nas principais empresas do setor automotivo: “Durante o tempo em que se dedicam ao projeto, os estudantes ganham maturidade e aprendem na prática o real significado da profissão que escolheram”, afirma.

Há alguns critérios que as equipes devem se atentar para a construção do carro, acompanhe

A construção do veículo deve atender os requisitos mínimos de segurança estabelecidos no regulamento. O bólido, de chassi monoposto, deve ser projetado para pilotos não profissionais, porém, deve apresentar características de alta performance em aceleração, frenagem, dirigibilidade e conforto do operador, estabelecendo um compromisso entre custo e desempenho, além de ser confiável e de fácil manutenção.

O motor de 4 tempos deve ter deslocamento máximo de 610 cc. O carburador poderá ser de qualquer conceito e tamanho, porém não é permitida a utilização de aditivos e alteração de temperatura do combustível.

O sistema de escapamento deve limitar o ruído ao nível aceitável. Qualquer sistema de transmissão poderá ser utilizado. A partida do motor deve ser no interior do veículo com fácil acesso por ambos lados externos ao veículo.

O tanque de combustível deve ser de no máximo 7,57 l para gasolina. O chassi deve ser de construção tubular em aço. As dimensões da tubulação do chassi e materiais estão especificadas no regulamento, assim como as barras de proteção.

As rodas devem ser de no mínimo aro 8” de diâmetro, os pneus podem ser de qualquer tipo e dimensão, não podendo ser alterado após avaliação estática. A distância entre eixos mínima é estabelecida em 1525 mm. O eixo de bitola menor não deve ser inferior à 75% do eixo de bitola maior.

O carro deve ser equipado com suspensão totalmente operacional, com amortecedores nas rodas dianteiras e traseiras. Os juizes poderão desqualificar carros que não atendam operacionalmente o sistema de suspensão ou que apresentem características que represente insegurança.

O sistema de direção deve ser equipado com batentes de esterçamento positivos de roda, desenvolvido de forma que impossibilite o contato dos pneus com a suspensão, chassi, carroçaria ou estrutura durante as manobras.

O sistema de freios de circuito duplo e controle único deve atuar em todas as rodas, prevendo-se, em caso de falha, desempenho mínimo através das rodas não afetadas. No caso de falha e conseqüente sobre-curso no pedal de freio, o motor deve ser desligado automaticamente. É aceitável um único freio instalado no diferencial do eixo. O veículo deve ser equipado com luz de freio na parte traseira.

De maneira geral, todos os requisitos detalhados no regulamento deverão ser atendidos. O não atendimento de itens referentes à segurança, como cintos de segurança, parede corta fogo, assoalho, barras de proteção lateral, frontal e de rolagem, freios, sistema de combustível, chassi, suspensão, direção e demais requisitos construtivos poderão impedir a participação do veículo na competição.

PROVAS ESTÁTICAS

Projeto: avaliação da conceituação do veículo, emprego de novas tecnologias, intenção de mercado, inovações, qualidade do projeto e esforço empregado pela equipe. O evento inicia-se com a avaliação do relatório de projeto, que não deve exceder 8 páginas, sendo 4 páginas de texto, 3 páginas de desenhos e uma página opcional, definida pela equipe, podendo conter gráficos, fotos, etc. O relatório deve conter uma descrição breve do veículo, contendo discussão sobre pontos importantes do projeto, análises e testes. A pontuação é dada em função das respostas das questões colocadas durante a avaliação. O veículo pode ser apresentado na avaliação do projeto sem ter passado pela inspeção técnica e de segurança.

Inspeção técnica: os competidores deverão respeitar local e horário pré-definidos para realização das provas. As provas estáticas são iniciadas com a inspeção técnica e de segurança para verificação do atendimento de todos os requisitos da FSAE, incluindo equipamentos de segurança do piloto. Caso algum item não seja atendido, o veículo deverá ser retrabalhado para obter a aprovação na reinspeção, necessária para continuidade do veículo na competição.

Avaliação de custos e manufatura: o evento consiste na avaliação do relatório de custos e viabilidade de manufatura, considerando-se a acuracidade na estimativa para fabricação de 4 veículos por dia, e não somente o custo do veículo.

Apresentação: a prova avalia a capacidade da equipe em apresentar o conceito do projeto e o poder de convencimento da qualidade do veículo. Fazem parte da avaliação a organização do grupo e a entrega da apresentação. Membros da equipe terão 10 minutos para explanação sem interrupções. No final, 5 minutos serão dedicados à perguntas e repostas. Somente os juizes terão direito à questionamentos. Nesta prova o veículo não é avaliado.

PROVAS DINÂMICAS

Aceleração: avaliação da aceleração do veículo em trecho retilíneo e pavimentado, partindo da imobilização e percorrendo uma distância de 75 m. São possíveis duas tomadas. Agentes para aumento de tração adicionados aos pneus não são permitidos. A mínima aceleração aceitável para pontuação corresponde ao tempo de 5,8 s, o que representa a velocidade média de 46,55 km/h. Os veículos que completarem o percurso, porém, com performance inferior terão 3,5 pontos. Caso o veículo não complete o percurso a pontuação é zero.

Skid Pad: o objetivo da prova é avaliar o desempenho do veículo em curva de superfície plana e raio constante. O carro deverá percorrer uma trajetória de dois círculos (figura 8) de 15,25 m de diâmetro em uma faixa de 3 m de largura. A pontuação baseia-se na performance do veículo quanto à aceleração lateral. As equipes poderão fazer duas tomadas e refazê-las com outro piloto.

Autocross: a prova destina-se a avaliação da dirigibilidade e conforto do veículo, combinando performance em aceleração, frenagem, direção e suspensão em um único evento. A velocidade média é entre 40 e 48 km/h em percurso de aproximadamente 805 m que inclui trecho retilíneo, curva de raio constante e variado, slalom e circuito misto. A pontuação é obtida em função do tempo decorrido no percurso.

Enduro e Economia de Combustível: o enduro e economia de combustível são avaliados em um único evento. No enduro avalia-se o desempenho geral do veículo, confiabilidade e durabilidade. A velocidade média é entre 48 e 57 km/h e máxima em torno de 105 km/h. O veículo deve percorrer 22 km no circuito que inclui trechos retilíneos, curvas de raios constantes e variados, slalom e chicanes. A pontuação obtida é em função do tempo utilizado para completar a prova.

A pontuação para a prova de consumo de combustível, conforme estabelecido no regulamento, é função da média em km/l obtida na prova de enduro.